Escrevo-lhe para lhe dizer que depois de analisados os resultados da sua reeleição como presidente podem, enfim, retirar-se algumas conclusões.
Antes, porém, deixe-me contar-lhe isto, em jeito de introdução.
Quando eu era novo, havia na minha terra – pequena aldeia lá do Minho – um barbeiro. Dizer um barbeiro, era dizer um espelho e um banco, uma tesoura e um homem, razão pela qual ainda por lá se diz «não tarda uma loja de barbeiro», para se dizer que é coisa rápida. Esse barbeiro dizia mal de toda a gente. Que este era um palerma, que o outro era tolo, que o seguinte era ruim, que o próximo era mau e, que, o se seguia era um palonço do piorio.
Ao fim da tarde, quando não quedava senão ele na loja, o barbeiro mirava-se ao espelho e apontando para a sua imagem reflexa, dizia: «E tu és o pior de todos! Tu também me saíste um grande filho da mãe, sempre disposto a dizer mal deste e daquele, sem piedade, nem compaixão».
O barbeiro foi-se, e fiquei com os mesmos tiques, fosse por influência do homem, fosse por influência do lugar (é perto de Barroselas…).
E quero dizer-lhe que as razões dos seus 42,31% - 37.239 de votos – podem muito bem ter sido encontradas. Pelo menos, essa é a convicção duma vasta equipa criada para o efeito, logo após o 11 de Outubro:
1) Cerca de 25.000 membros do PS referiram que tinham votado em si porque o chefe local deles assim tinha mandado. Interrogados sobre esse procedimento referiram que era o procedimento normal, uma vez que os chefes locais lhes tinham dito que esse era o procedimento normal.
2) Cerca de 10.000 revelaram que votaram em si porque costumam votar no tipo que vai vencer. Interrogados sobre a razão de tal costume, disseram que a fundamentam num dado extremamente relevante: nunca perder umas eleições. Estes militantes já tinham votado Narciso, Soares, Cavaco, Guterres, Barroso e Sócrates, sendo que dois deles tinham votado Santana Lopes. Quando lhes perguntaram como conseguiram votar nos líderes do PSD, metade disse que costumava mudar de partido logo que percebia que o partido onde estava ia perder as eleições e, a outra metade – a facção mais conservadora – revelou que é militante dos dois partidos ao mesmo tempo.
3) Cerca de 2.238 disseram ter votado no PS, uma vez que a sua ideia fundamental era que tudo ficasse na mesma. Cem deles confessaram ter votado por engano, pensando tratar-se das eleições do Leixões e da reeleição do senhor Carlos Oliveira.
4) Um militante deve ter votado mais ou menos convictamente em si.
Provavelmente o senhor, ou seja o próprio.
E aqui tem o estudo, em primeira mão, do seu eleitorado.
Aceite um aperto de mão, devidamente higienizado e desinfectado, por causa da gripe.
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
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A GRAVATA
ResponderEliminarA gravata é uma tira de tecido, estreita e longa, que se usa em torno do pescoço e que é presa por um laço ou nó na parte da frente.
Definitivamente nada que se pareça com a forca, embora a corda seja amarrada em forma de laço e também á volta do pescoço.
Foram feitas demasiadas promessas aos Matosinhenses entre 2009/2013 , sob o lema Matosinhos – construir o futuro
gostaria de citar alguns tópicos dessa campanha:
Cidadania 2009/2013
Modernização Administrativa 2009/2013
Finanças Municipais 2009/2013
Recursos Humanos 2009/2013
Ambiente 2009/2013
Orla Costeira 2009/2013
Parques e Jardins 2009/2013
Cultura 2009/2013
Educação 2009/2013
Saúde 2009/2013
Juventude 2009/2013
Desporto 2009/2013
Desenvolvimento Económico 2009/2013
Turismo 2009/2013
Mobilidade 2009/2013
Habitação 2009/2013
Urbanismo 2009/2013
Solidariedade Social 2009/2013
Segurança e Protecção Civil 2009/2013
Foi este o programa eleitoral expresso num jornal distribuído por todos os Matosinhenses antes das eleições autárquicas
são 19 títulos que incluem cerca de 101 promessas aos Matosinhenses.
Sempre disse que a politica começava logo a seguir ao dia das eleições, no passado Domingo dia 31 de Outubro o novo
executivo tomou posse.
Perante as promessas que foram feitas, eu quero acreditar que o Presidente da Câmara nem terá tempo para usar a referida gravata
afinal com tantas obras iremos vê-lo quase sempre de mangas arregaçadas, não vai sobrar tempo para nada, nem sequer usar a gravata.
É bom que as obras se iniciem o mais rápido possível, teremos assim cerca de 1.460 dias, (4 anos) para que todos os projectos se
concretizem e que após o fim destes, o Presidente coloque efectivamente a gravata em vez da corda….
Artigo Publicado no Jornal de Matosinhos
Saudações Marítimas
José Modesto