terça-feira, 27 de outubro de 2009

O PS e os cartões vermelhos

Expulsar os “independentes”, aqueles que, nas autárquicas se opuseram à orientação do partido, é uma medida que – razões legais à parte – jamais obterá consenso.
Não estou habilitado a defender ou a contestar a decisão que, sob o ponto de vista de interesse partidário, venha a prevalecer.
Do ponto de vista do interesse político nacional, a expulsão de um dos mais firmes pilares do partido e da democracia – como Narciso Miranda o é - constituiriam tremendo erro.
Nesta matéria – e matéria legal à parte, repito - ninguém pode arrogar-se detentor da verdade absoluta.
Pode esgrimir-se argumentos mais ou menos convincentes, capazes de assegurar o triunfo de uma opinião, e só de uma opinião. Defender-se o verosímil ou o provável. Ter-se uma opinião mais ou menos provável.
Não há, a este respeito, uma verdade unívoca, indispensável, segura.
O PS não é um partido ideológico.
Serve-se da ideologia como suporte de propaganda, ciente de que ser ou declarar-se de esquerda é, por estes dias em Portugal, um produto de aceitação garantida para uma faixa relevante do “mercado”.
Certo é que os ajustes de contas no seio do PS não surpreendem ninguém.
Os envolvidos pressentiam-nos. Os de fora adivinhavam-nos.
Pragmatismo, e é tudo.
Se houvesse dúvidas – e não havia – a última proposta que Sócrates dirigiu a todos os partidos parlamentares para deixarem de ser oposição e passarem a ser governo, ou, pelo menos para fazerem parte da maioria dissipava-as.
O que importa a Sócrates, de momento, é uma maioria tranquilizadora que lhe permita levar o governo até ao fim da legislatura. Por isso é que, tanto faria uma coligação do PS com o BE, do PS com o PCP, do PS com o PSD ou do PSD com o CDS!
Este tipo de postura não é novo. Já Soares, noutros tempos governou em coligação com o CDS de cujos dirigentes tinha dito o que Maomé nunca dissera do toucinho!
O PS é essencialmente um partido pragmatista, e Sócrates brilha no PS porque é um excepcional intérprete dessa atitude política. Só faz sentido o que é útil para si ou para os seus interesses. Visa, em cada decisão tomada efeitos práticos, sejam eles imediatos ou a prazo!
Não concretizou nenhuma expulsão antes das autárquicas, porque pressentia efeitos negativos da decisão.
Verdade é que Sócrates ganhou nas legislativas e, não perdeu nas autárquicas.
Com outra atitude, com outra postura, com outra estratégia tê-las-ia ganho ou não.
Por isso, sentença definitiva, quem a proferiu, não convenceu – persuadiu!
Não demonstrou – argumentou!

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Tachos! Reflexões típicas de quem nunca abichou nenhum

Dantes, nos primórdios da revolução, quando a nossa capacidade de indignação tinha mais músculos e menos celulite, só o ouvir falar em “Tachos” nos punha em posição de combate. Éramos radicais, não transigíamos com nada.
Mas, hoje…
À medida que vamos envelhecendo e sofrendo a erosão do tempo, os mais belos ideais vão criando cabelos brancos e acompanhando a nossa decadência física.
Dir-se-ia que estamos anestesiados, e a anestesia impede-nos de reagir à indignidade. Adapta-nos!
Em vez de dizermos "Não aos Tachos”, contemporizamos e arranjamos fórmulas de compromisso, como por exemplo:
«Se tem de haver tachos, que ao menos eles sejam distribuídos por pessoas decentes; por nós, por exemplo”.
Como vivemos num estado de direito, a lei, as obrigações, as oportunidades e as regalias devem ser iguais para todos. E, portanto, os tachos também.
Mas acontece que, na prática, não existem dez milhões de tachos para os dez milhões que somos. Logo, há quem tenha de ficar sem tacho!
Por outro lado existem alguns tachos para distribuir (na grave crise em que nos encontramos deitá-los fora seria um crime). Portanto, há quem tenha de ficar com tacho!...
Terrível dilema para quem tem de dizer sim a este e não àquele.
Dou o tacho a este?... Dou o tacho àquele?... Dou dois tachos a este?... Dou três tachos àquele?
Livre-me Deus de ter algum dia o poder de poder distribuir tachos a torto e a direito, pois palpita-me que nunca mais voltava a dormir descansado. Por muito honesto e isento que quisesse ser falharia. Além de que os critérios que adoptasse, embora fundados em razões de justiça, não coincidiriam necessariamente com os critérios alheios. Sobretudo se esses alheios fossem adversários políticos tão isentos e honestos como nós.
De resto, existe ainda uma verdade que só pioraria as coisas: os tachos são como os hotéis, e há-os de “uma estrela” até “cinco estrelas”.
E, cada um dos tachados acharia que tinha mais direito a um bom tacho do que o outro!

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Lutou como sempre. Perdeu como nunca!

Uma derrota custa sempre a digerir. Desta verdade foi-nos dado, esta semana, um sinal certo através dum “comunicado” subscrito pelo “Grupo de Cidadãos eleitos da Candidatura Narciso Miranda Matosinhos Sempre” e dum “texto” assinado por quem, alegadamente, deve exercer “o direito de resposta”.
O primeiro, publicado na Imprensa, tem o sugestivo título «Haja decoro».
O segundo, recebido por e-mail, é mais objectivo: «Face às declarações do Guilherme Pinto no Público de hoje:».
O conteúdo, excepção feita aos primeiros parágrafos, é o mesmo.
Num português macarrónico, pretende-se “responder às afirmações difamatórias e injuriosas que o presidente da autarquia de Matosinhos dirige aos vereadores da oposição…”
Mas, o que disse o “malvado”?
Que não o preocupa “rigorosamente nada não ter a maioria absoluta no executivo camarário”. E acrescenta, a propósito, mais umas observações banais e inofensivas. Basta ler a notícia completa do Público (dia 14) para que se perceba a inconsequência das afirmações proferidas.
Mas, desde quando é que há injúria e difamação numa simples manifestação de indiferença, que, o mais que pode significar é a rejeição dos “eleitos”?
Pior ainda é a qualidade da escrita! A quem aproveita tamanha demonstração de incapacidade de interpretação e de redacção?
Exemplos? Aqui vai um: «…penso que seria mais forte (o texto) se fosse subscrito por todos os eleitos…». E, já agora, vejam lá se percebem o que é «a projecção de antecipar a governação do concelho em minoria»?
Faz lembrar aquele aviso paroquial colado à porta da igreja, que reza assim:
“O mês de Novembro finalizará com uma missa cantada por todos os defuntos da paróquia”! Mais? Cá vai:
«…uma oposição séria, dedicada e trabalhadora que o futuro de Matosinhos augura». Essa de levar o futuro a augurar, não lembrava ao diabo! Outra: «…desenvolvimento da cidade a que chamamos Matosinhos». Aqui é que não há dúvida: é mesmo Matosinhos!
Agora a sério. Começam a encontrar-se explicações para o colapso eleitoral que vivemos. Afinal – lê-se neles – há uma equipa criada para levar a cabo acções que «não dependem exclusivamente de Narciso Miranda, como Guilherme Pinto afirma». Uma equipa que tem por finalidade “…não criar barreiras ao progresso construindo Matosinhos»!
Pudera! Também era melhor que fosse para criar barreiras ao progresso...
Uma equipa, «…cuja independência e liberdade de expressão leva já na voz (não seria melhor levar na cabeça?) o apoio de mais de 30% do eleitorado Matosinhense». A conclusão é óbvia.
Narciso só à sua conta, contaria com mais de 50% do eleitorado.
Já o provou no passado. E merecia-o no presente. Pelo futuro.
Com a tal “equipa criada”, cujas potencialidades, esta amostra antecipa (e ainda com outras “equipas fantásticas” que o tal texto omite) obteve 30%!
Que vieram acrescentar à nossa causa tais equipas? É só fazer as contas!
Uns 20% de votos a menos. Pelo menos!

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Autocrítica

Desde que nasceu, este Blog tem o seu autor identificado. Apesar disso várias têm sido as mensagens recebidas na caixa de correio, desafiando-me a revelar quem sou, de onde venho e para onde quero ir.
Mensagens que obviamente não publico. Por não interessarem nem ao Menino Jesus tais revelações.
Contudo, de quando em vez, aventuro-me a uma autocrítica. É uma atitude que classifico de digna. Tomo-a periodicamente, embora, infelizmente, tal atitude não concorra para melhorar o meu padrão moral. Os vícios estão demasiado entranhados. É-me difícil mudar. Constato que, no respeitante a pecados, sou conservador. Mantenho-os. De qualquer modo, a autocrítica alivia, fica mais barato do que ir ao psicanalista e é menos sórdido do que ajoelhar aos pés de um padre.
Sou preguiçoso e indisciplinado por natureza. Embora apregoe as virtudes do labor e da ordem, chego ao ponto de nem hoje fazer o que já devia ter feito ontem. Nada tenho de desinteressado, como às vezes procuro aparentar e gostaria de ser.
Infelizmente, não resisto à sedução do dinheiro e apenas consigo desprezar as pequenas quantias. Digamos, os trocos. Depois de ler Karl Marx, percebi que tenho muito mais amor ao capital que ao trabalho. Não desdenho as honrarias, ao contrário do que reflectem as minhas crónicas, em que as menosprezo e ridicularizo. As honrarias, claro.
Se não pertenço ao Conselho de Estado, à Opus Dei, Ordem dos Templários, ao Governo ou ao Parlamento, ou mesmo se não sou director de uma estação de televisão, não são as minhas convicções que o impedem - eles é que não me querem lá.

Outro defeito que admito é ser céptico e disfarçado: não só não acredito numa palavra do que dizem os tipos mais inteligentes do que eu, como lhes chamo burros e tento desacreditá-los para ficar satisfeito comigo mesmo. Não é bom ser assim, de acordo, mas não tenho emenda: por mais que aposte e enalteça projectos vanguardistas e me vanglorie de ser criativo, ousado e inovador, nunca passarei de um mísero social burocrata.
Também lamento ser injusto e mal agradecido com numerosas instituições, como a televisão por exemplo. Farto-me de dizer mal dela, sob os pretextos mais fúteis, esquecendo o muito que lhe devemos: graças aos seus programas, muitas pessoas adormecem todas as noites sem recorrer a sedativos.

Mas pior, pior, é ter a língua solta (ou comprida) quando, no fundo, aprecio e valorizo as pessoas discretas e ponderadas no falar. Sofro claramente de incontinência verbal (e escrita), veja-se o meu azar! Insisto em insinuações e, pior que isso, não passo sem escrever coisas perfeitamente inúteis. Como esta.

Há, porém, nestas coisas do dizer e escrever, uma qualidade que, modéstia à parte, devo reconhecer e contabilizar a meu favor: quando não tenho nada para dizer, digo-o. Sempre. Como agora...

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Coração ao largo

Aconteceu no ano nove, do mês dez, ao dia onze. Quase doze pontos percentuais de diferença. É muito ponto junto!
Foi a pique, no Mar de Matosinhos a nau que carregava a candidatura da esperança matosinhense. Ninguém se salvou!
Tripulação e passageiros sucumbiram ao naufrágio que algumas nuvens traduzidas nas últimas sondagens conhecidas prenunciavam. E, nem foi uma grande tormenta que a tragou. Não foi um golpe de mar, nem um navio pirata, nem um rebocador que lhe surgisse por trás duma esquina.
Também não foi um acontecimento inesperado, não foi nenhum facto, nenhum acto, nenhuma acção, concreta e definida, a ditar o colapso.
Terá sido antes, o corolário lógico, duma silenciosa política de afastamento de cidadãos sérios e responsáveis, dum persistente lume brando que os foi aquecendo primeiro, assando a seguir e (quase) queimando depois.
Todas as portas se fecharam a um projecto em que muitos de nós acreditamos.
Algo de muito mal correu para que o povo tenha virado as costas a um projecto que visava para Matosinhos a recuperação do rumo de progresso, credibilidade e desenvolvimento perdidos durante os últimos quatro anos.
Algo de muito mal correu para que os matosinhenses, informados do descalabro das contas municipais, lhes tenham, mesmo assim, com o seu voto, dado a indesejada continuidade.
Algo de muito mal correu, para que avisadas das intenções de prosseguimento duma política manifestamente desalinhada dos interesses da comunidade, as pessoas tenham decidido avalizar esse “projecto”.
Algo de muito mal correu, para que nem na mais remota freguesia tenhamos ganho!
E o discurso de capitulação de Narciso a sugerir a manutenção da rota, sem quebras, nem desvios, tolerado à luz da emoção, não pode ser entendido à luz da razão.
Porque, essa atitude, essa postura, essa avaliação configura, na prática, a ideia de que foi o povo o responsável por derrota eleitoral de tal magnitude.
E, todavia o povo deu mostras claras de estar com Narciso. De o apoiar. De o desejar.
Quem acompanhou as acções de rua, quem sentiu a extraordinária adesão popular, quem ouviu cidadãos das mais variadas classes sociais e escalões etários, não pode esconder surpresa e inquietação, incredulidade e frustração, amargura e desolação.
E estes sentimentos não se apagam com a promessa de que “vamos prosseguir”.
Ou antes, prosseguir sim, mas com que rumo? Com aquele, cujos efeitos agora conhecemos?
Fala-nos de experiência política, de experiência de gestão e disto ninguém divida. Um senão, porém.
É que, a experiência – é dos livros - ensina-nos a cometer novos erros em vez de repetirmos os antigos. E, nesta altura uma análise fria, ponderada, serena e honesta talvez demonstre isso mesmo: foram repetidos erros antigos!

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

A Lavagem

Estou disposta a perder a gamela de Bruxelas…» disse, há alguns dias, Elisa Ferreira.
O que terá levado esta euro-deputada e candidata virtual à Câmara do Porto a utilizar semelhante metáfora? Ter-se-á lembrado do “Triunfo dos Porcos” de George Orwell?
Quereria estabelecer alguma ligação entre política e lavagem?
Atenção que a lavagem que aqui sirvo (salvo seja) é aquele alimento composto de couves e restos de vegetais cozidos na panela grande dos porcos.
Quando lhes cheira a lavagem, de cabeça baixa, os porcos precipitam-se para a gamela. Sem queda para trabalhar, passam o tempo a fossar o chão e comem de cabeça submissa os restos que lá lhes caem.
Imagem perfeita de alguns, de que alguns procuram fazer políticos?
Mas, isto não será procurar pôr alfaces a dar faísca?
Por mim, prefiro as vacas: comem de cabeça levantada com a manjedoura colocada na parede a meia altura. Além disso fornecem leite e são mouras de trabalho nos campos.
E (lá está…) andam de cabeça erguida até na refeição!
«…perder a gamela…»?
Onde se viu, alguma vez, um porco a deixar a gamela, fosse ela de madeira ou de pedra?
Se puder ainda ataca, mas é a gamela ao lado!
Como diz o João da Ilha, a propósito dos últimos resultados eleitorais:
«O país endoidou»!

domingo, 4 de outubro de 2009

“Antes da glória”, o livro que morreu na praia

Enquanto os rapazes do seu tempo se estreavam no bosque de Santa Luzia com a Picolina - mulher de muitas relações, descontos para estudantes e militares - Narciso pescava noutras águas. O episódio anterior dava conta duma namoradinha, a Celeste (nome fictício). Mas, como a terá conhecido? Podia muito bem ter sido da forma que se acha escrita no livro. Assim:
«…Celeste na sua cadeira, rainhas as outras, rindo e dançando. Só de longe em longe, e porque sobravam os homens, lá vinha um, Celeste num alvoroço, ele frio e desgostado como quem compra os últimos carapaus da canastra onde já todos escolheram. Celeste encostando-se, desejosa de compensar, de pagar com prazeres a graça de um tango, de incitar a novos convites, Celeste magra e desengraçada, mas terna, a dar-se, eles ausentes, dançando, dançando só, com a orquestra, não com ela, Celeste apenas bengala de caminheiros do baile. Naquela noite apareceu o Narciso. Nunca o tinham visto ali, seria de outra terra, talvez, Vila Fria, Neves ou Barroselas, estatura meã, olhos castanhos, calças de ganga, camisa clara. «Quem é? Quem é?», perguntavam-se umas às outras, excitadas pela presença da cara nova, para mais bonita, ajeitavam os cabelos, faziam poses, as mais atrevidas sorriam-lhe de longe e mostravam as bolas dos joelhos. A expectativa cresceu quando a orquestra – Rio Lima Dancing, Janita ao piano, Teodósio contrabaixo, Camilo no saxofone, Zé António e seu acordeão, Luciano vocalista acumulando os ferrinhos – lançou para a pista os primeiros acordes da Valsa do Imperador. As moças, expostas em duas filas de cadeiras à volta da sala, ficaram aguardando o que lhes caberia em sorte, mas iam-se-lhes os olhos e a curiosidade na figura do desconhecido, marinheiro de primeira viagem à Sociedade Musical e Recreativa Darquense, cinco escudos de cota, os bailes mais animados da região. Acanhado não era ele. Ainda Camilo não gastara o primeiro fôlego no saxofone ei-lo que avança pela sala nua, tudo suspenso do seu passo ágil, até os rapazes parados, a dar a vez, Narciso caminhando, de uma ponta à outra, até dobrar-se em frente de Celeste, e perguntar humilde, quase em súplica: «Quer dançar comigo?». - «Eu» - Celeste não esperava uma daquelas, era a coisa mais bonita que alguma vez lhe acontecera, as outras morrendo de inveja, levantou-se e volteou nos braços daquele estrangeiro, príncipe encantado que vinha redimi-la de mil humilhações. Rodopiavam sós no centro do mundo, durante minutos, ou seriam horas, tempo de maravilha, todos a olhar, suspensos, esquecidos da dança, duas filas de Celestes em banhos de cadeira, Celeste rainha, a mais bela de todas, a única, a eleita. «Como te chamas?» - «Eu, Celeste, E tu?» - «Narciso.» Palavras ciciadas nas voltas da valsa, agora era um bolero, o braço de Narciso firmou-se mais na cintura delgada, apertou-a contra si, nem era preciso, Celeste já lá ia, feliz. Quando a orquestra se calou, Narciso foi levá-la ao seu lugar, disse «muito obrigado» e sumiu. As outras olhavam Celeste surpresas e enciumadas, ela segurando um botão do vestido, fazendo-se ocupada para esconder felicidade tão grande. Voltaria? Não, por certo não, agora iria dançar com outras. Aí estava a orquestra de novo, na alegria irónica de um paso-doble, Celeste entristecendo, Narciso a chegar à sala, quem seria agora, talvez a Isabel, de todas a mais bela, representante da Sociedade num concurso de misses. Isabel também à espera, orgulho ferido. Narciso levantou os olhos e sorriu, sorriu para Celeste, ai Nossa Senhora, rezou ela, Narciso perguntava-lhe, de longe, rodopiando um dedo apontando para o chão, se queria dançar…».

Virus SLB1. Já conhece?

Como se sabe vivemos desde há algum tempo sob a ameaça de um dos mais perigosos e contagiosos vírus de que há memória.
Falo naturalmente do SLB1, popularmente conhecido como Gripe das Águias.
O pânico começa a apoderar-se da população e impõe-se um esclarecimento sério e uma informação oportuna, visando a propagação da maleita.

Perguntas mais frequentes:

- O que é o novo vírus da Gripe das Águias (SLB1)?
- É um vírus altamente contagioso que ataca sobretudo a população benfiquista, principal grupo de risco. As vítimas têm normalmente a memória muito curta e uma assustadora incapacidade de distinguir a ficção da realidade seja ela escrita, relatada ou comentada pelos agentes informativos.

- Quais os sintomas da doença?
- O SLB1 causa nos infectados picos de febre altíssima, levando-os ao
delírio e a acreditar piamente que o Benfica será campeão, que ganhará
a Champions, mesmo sem nela vierem a participar…

- Como se infectam as pessoas com o novo vírus da Gripe das Águias (SLB1)?
- Ouvindo mais que dois minutos sócios e simpatizantes do SLB, lendo jornais desportivos, sintonizando a SIC, TVI ou SportTV. Ser assinante da Benfica TV é assinar (lá está...) a sua própria certidão de óbito. Ler as crónicas do João Gobern pode mesmo ser fatal. Estes são comportamentos de risco que devem ser evitados a todo o custo.

- Qual é o período de incubação da doença?
- O período de incubação da Gripe das Águias, ou seja, o tempo que
decorre entre o momento em que uma pessoa é infectada e o aparecimento
dos primeiros sintomas, é equivalente ao tempo que o Carlos Martins
demora a lesionar-se num jogo: 5 a 9 minutos, não mais.

- Quanto tempo dura a infecção pelo SLB1?
- Estudos realizados em temporadas recentes demonstram que este vírus
começa a manifestar-se em meados de Junho. A sintomatologia dura
geralmente até à 6ª jornada, ou vá lá até à 10ª na pior das hipóteses. Nessa altura
ocorre a chamada Depressão das Águias.

- A doença pode ser tratada?
- Sim, pode. Geralmente uma derrota em casa com um Olhanense ou Metallist (?) ou uma cabazada fora com um Olympiakos.

- O que devo fazer entretanto?
- Evite o contacto próximo com pessoas doentes, mantenha-se afastado de qualquer jornal desportivo, mantenha a calma e aguarde tranquilamente pelo mês de Novembro, altura em que se prevê a completa extinção do vírus!

sábado, 3 de outubro de 2009

A Mãozinha e o Coração

Os símbolos são até bem diferentes. Não se confundem.
A mãozinha (o partido da rosa) e, o coração (o partido de Matosinhos) são - de acordo com sondagens credíveis - os mais sérios candidatos à vitória nas eleições para os órgãos autárquicos de Matosinhos.
E, a diferença dos símbolos não é apenas gráfica.
Um, representa um partido cujos líderes afastaram do seu seio o candidato que povo recuperou: uns matosinhenses, pela amostra, iriam – se preciso fosse - buscar Narciso ao inferno.
O outro, representa a vontade duma população que anseia por ver instalada nos órgãos locais gente em quem possa confiar: outros matosinhenses, pela amostra levariam ao inferno – mesmo que preciso não fosse – os que não têm sabido exercer o mandato com a indispensável seriedade, e metê-los-iam, a pique, num caldeirão de azeite a ferver, fornecido (ou não) pelos supermercados da SONAE!
O apoio, a aceitação colectiva de Narciso é inquestionável; mas, Narciso, não é infalível.
O apoio, a aceitação colectiva das diversas equipas que Narciso escolheu – em alguns casos - é questionável.
Está visto: Narciso é humanamente falível!
Está visto, também: Narciso é, de longe, o presidente que o povo quer!
O grande adversário é a questão do símbolo: é que a longa - e frutuosa - colagem de Narciso ao PS deixou marcas que só o tempo virá a dissipá-las.
O risco de haver quem vote “mãozinha” convencido de que vota Narciso, poderá muito bem vir a estabelecer a diferença entre um resultado estrondoso (como, da outra, “eles” diziam) e um resultado vitorioso (como, desta, nós dizemos)!
Dito doutra forma: a desatenção, no momento da verdade (o do voto) pode ditar a diferença entre uma vitória tangencial e uma vitória folgada.